Sudão: exército afirma ter abatido drone vindo da Etiópia e retomado Bakouri, no Nilo Azul

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O exército do Sudão afirma que a sua defesa aérea abateu um “drone estratégico hostil” perto de Bakouri, no estado do Nilo Azul, na manhã de quinta-feira, 22 de outubro de 2026. Segundo o exército, a aeronave foi seguida desde que atravessou a fronteira vinda da Etiópia. A alegação não foi verificada de forma independente, e o exército não indicou quem operava o drone nem de que tipo era.

No mesmo dia, a 4.ª Divisão de Infantaria disse ter retomado Bakouri e Akleili às Forças de Apoio Rápido (RSF) e ao seu aliado, o Movimento de Libertação do Povo do Sudão-Norte (SPLM-N). Nenhum dos grupos tinha reagido nas fontes consultadas pelo DefenceMENA.

O que o exército alega

O porta-voz do exército, Asim Awad, anunciou o abate num comunicado, noticiaram a agência sudanesa SUNA e a agência Anadolu. Segundo a SUNA, o drone “foi seguido desde o momento em que atravessou a fronteira vindo da direção da Etiópia”. Não foram divulgados o modelo, o alvo nem pormenores dos destroços, e as fontes consultadas não incluíam imagens de destroços. O Sudan Now descreveu-o como um drone de longo alcance e referiu que não havia provas independentes da sua origem ou operador.

Num comunicado separado, a 4.ª Divisão de Infantaria disse ter recuperado as duas localidades e causado “pesadas perdas” em pessoal e material, sem apresentar números. Bakouri fica na localidade de Geissan, a cerca de 70 quilómetros a sudeste de Ed Damazin, e acolhe uma base da 13.ª Brigada de Infantaria, segundo a Anadolu. Akleili situa-se na estrada que liga Kurmuk a Ed Damazin, capital do estado. As RSF e o SPLM-N tinham anunciado a tomada de Bakouri a 28 de agosto.

No início da semana, o exército disse ter repelido ataques contra Al-Baraka e Sali. Segundo o Sudan Now, a divisão afirma ter capturado 15 veículos de combate e destruído outros cinco em Sali; também esta alegação não está verificada.

Segunda alegação do género em onze dias

É a segunda vez este mês que o exército diz ter abatido um drone que entrou no Nilo Azul a partir da Etiópia. A 12 de outubro, o Comando-Geral anunciou que a defesa aérea tinha abatido na noite anterior um drone estratégico “hostil” perto de Wad al-Mahi, também sem identificar o operador, segundo a Anadolu. O DefenceMENA noticiou essa alegação no artigo sobre os ataques de drones em Ed Damazin.

No Conselho de Segurança da ONU, a 16 de outubro, o embaixador do Sudão afirmou que drones lançados a partir de países vizinhos tinham atingido o Nilo Azul. A Etiópia rejeitou as acusações como infundadas, como o DefenceMENA noticiou (Sudão e Etiópia trocam acusações na ONU). O DefenceMENA não encontrou qualquer declaração etíope sobre a alegação de 22 de outubro até à publicação.

O custo civil da guerra de drones

As alegações surgem depois de o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos ter indicado a 23 de outubro que ataques de drones mataram pelo menos 306 pessoas no Sudão nas três primeiras semanas de outubro. O organismo atribui os ataques tanto às Forças Armadas Sudanesas como às RSF, com incidentes no Cordofão, no Darfur, no Nilo Azul e em Cartum, segundo a ONU News. Entre eles está um ataque atribuído às RSF a 9 de outubro que matou pelo menos 31 pessoas num local de deslocados perto de Abu Shendi, no Nilo Azul.

Estado das alegações

  • Drone abatido perto de Bakouri a 22 de outubro: ABATE REIVINDICADO (comunicado do exército sudanês; sem imagens nem confirmação independente; operador e tipo não indicados).
  • Reconquista de Bakouri e Akleili: reivindicada pelo exército sudanês; não verificada; sem resposta das RSF/SPLM-N.

Fontes

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Joaquim Mendes Author All articles

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