Emirados terão aceitado voltar a financiar forças iemenitas em troca de cobertura aérea saudita
Os Emirados Árabes Unidos terão aceitado retomar o financiamento de parte das forças iemenitas que combatem os houthis no sul, em troca de cobertura aérea saudita, noticiou o The Guardian a 17 de outubro de 2026, citando fontes no Iémen. Nenhum dos dois governos confirmou o acordo.
O que foi noticiado
Segundo o The Guardian, o acordo restabeleceria o financiamento das forças do sul, sobretudo as Brigadas dos Gigantes, que os Emirados treinaram e financiaram no passado. O jornal descreve-as como das mais eficazes da coligação anti-houthi e vê no acordo o primeiro sinal concreto de que o desentendimento entre Abu Dhabi e Riade sobre o futuro do Iémen começa a sanar-se. A notícia não indica o valor dos pagamentos, a data de reinício nem a forma como o apoio aéreo saudita seria coordenado com as unidades no terreno.
Atualização, 18 de outubro: académico emiradense contesta a notícia
Abdulkhaleq Abdulla, professor emiradense de ciência política, escreveu no X na noite de 17 de outubro que duvidava da exatidão da notícia do The Guardian segundo a qual os Emirados teriam aceitado regressar ao Iémen a pedido da Arábia Saudita. Afirmou que os Emirados “viraram a página” do envolvimento militar direto no Iémen e da retoma do apoio financeiro a forças iemenitas ou do sul, acrescentando que a influência emiradense “mantém-se e não pode ser contornada”. O site iemenita Aden Time apresenta-o como conselheiro do presidente dos Emirados. A publicação não é uma declaração oficial; o DefenceMENA não encontrou qualquer reação dos governos dos Emirados ou da Arábia Saudita à notícia.
O que está confirmado e o que não está
A informação assenta em fontes anónimas. Na manhã de 18 de outubro, o DefenceMENA não tinha encontrado qualquer declaração dos governos dos Emirados ou da Arábia Saudita a confirmá-la ou desmenti-la; os outros meios que a divulgaram citam o The Guardian. O sinal oficial mais próximo é uma chamada telefónica de 13 de outubro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros dos Emirados, xeque Abdullah bin Zayed Al Nahyan, e o homólogo saudita, príncipe Faisal bin Farhan. Segundo o ministério emirati, o xeque Abdullah condenou os ataques houthis contra civis e infraestruturas na Arábia Saudita e afirmou o apoio dos Emirados “a todas as medidas destinadas a salvaguardar a sua segurança e estabilidade”. O comunicado não menciona forças iemenitas nem financiamento.
Porque saíram os Emirados
Os Emirados terminaram as operações no Iémen em janeiro de 2026, recorda o The Guardian, depois de o separatista Conselho de Transição do Sul (STC) ter tentado, sem êxito, assumir o controlo do sul e anunciar um referendo sobre a secessão. A Arábia Saudita bombardeou então carregamentos de armas dos Emirados destinados às forças do STC, e o líder do movimento, Aidarous al-Zubaidi, fugiu para Abu Dhabi, segundo o jornal. O STC não aceitou enviar combatentes para lá das fronteiras do antigo Iémen do Sul, e nem Riade nem Abu Dhabi responderam ao seu novo pedido de referendo.
A situação no terreno
O governo sediado em Áden lançou na semana passada uma contraofensiva para afastar os houthis de Saná, mas, segundo o The Guardian, os avanços foram limitados em torno de Majzar, perto de Marib, e junto ao estreito de Bab el-Mandeb. Os houthis continuam a tentar tomar Taiz e Marib. Em Áden, mísseis houthis atingiram o palácio presidencial de al-Maashiq a 15 de outubro, matando pelo menos cinco pessoas, e dois mísseis caíram perto da pista do aeroporto de Áden a 16 de outubro, segundo o ministro iemenita da Informação.
Outros apoios externos à Arábia Saudita
O Ministério da Defesa britânico aceitou em setembro disponibilizar um avião de reabastecimento RAF Voyager a pedido de Riade, somando-se ao equipamento de defesa aérea e ao pessoal britânicos já presentes no reino. O The Guardian refere que está em discussão um novo pedido saudita de apoio militar britânico. No Cairo, o Presidente Abdel Fattah al-Sisi pediu ao Parlamento autorização para defender a Arábia Saudita caso Riade o solicite; os deputados reúnem-se a 18 de outubro.
O que acompanhar
A acompanhar: uma eventual confirmação oficial dos Emirados ou da Arábia Saudita, indícios de pagamentos às Brigadas dos Gigantes, um eventual aumento dos ataques aéreos da coligação em apoio das forças terrestres do sul e a posição do STC sobre combates a norte da antiga fronteira.
Fontes
- The Guardian: UAE agrees with Saudi Arabia to re-enter Yemen conflict amid Houthi gains (17 de outubro de 2026)
- Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados: chamada de Abdullah bin Zayed com o ministro saudita dos Negócios Estrangeiros (13 de outubro de 2026)
- Ministério da Defesa britânico: UK military support to the Kingdom of Saudi Arabia (22 de setembro de 2026)
- Abdulkhaleq Abdulla no X: publicação de 17 de outubro de 2026 (em árabe)





