F-35 sauditas: prazo de análise do Congresso termina sem votação de bloqueio, segundo o Sabq
O prazo de 30 dias de que o Congresso dos EUA dispunha para analisar a venda proposta de 48 caças F-35 à Arábia Saudita terminou no sábado, 17 de outubro de 2026, sem qualquer votação no Senado para a bloquear, noticiou a 18 de outubro o jornal saudita Sabq. Não foi anunciado qualquer contrato: a venda ainda tem de ser negociada e assinada.
O que aconteceu
O Departamento de Estado norte-americano aprovou a possível Venda Militar ao Estrangeiro a 17 de setembro. A Arábia Saudita pediu 48 aviões F-35 Lightning II na versão de descolagem e aterragem convencionais e 49 motores Pratt & Whitney F135-PW-100 (48 instalados e um sobresselente), além de equipamento criptográfico e de comunicações seguras, apoio a bases de dados de guerra eletrónica, sobresselentes, formação, simuladores, software e apoio logístico. Os principais contratantes seriam a Lockheed Martin Aeronautics e a Pratt & Whitney Military Engines.
A 24 de setembro, o senador Rand Paul apresentou a S.J.Res. 217, uma resolução conjunta de desaprovação que proibiria a venda, remetida à Comissão de Relações Externas do Senado. O Sabq, citando o registo legislativo do Congresso, afirma que as resoluções contra vendas de armas ao reino continuavam na comissão quando o prazo expirou e que o Senado só retoma os trabalhos normais a 9 de novembro. A Arms Export Control Act fixa um prazo de análise de 30 dias para vendas deste tipo a países como a Arábia Saudita.
O que significam os números
O Departamento de Estado estimou o custo total em 24,3 mil milhões de dólares. Trata-se da estimativa notificada para todo o pacote, não de um preço contratual; abrange muito mais do que os aviões e não deve ser dividida para obter um custo por unidade. A notificação não inclui armamento; as munições exigiriam notificações separadas, observou o Sabq. Não foi publicado calendário de entregas: os aviões estão pedidos, não encomendados, contratados nem entregues.
Contexto regional
Israel é o único operador do F-35 no Médio Oriente. Os Emirados Árabes Unidos obtiveram em novembro de 2020 aprovação norte-americana para até 50 F-35A, no âmbito de um pacote de armamento de 23,37 mil milhões de dólares, mas suspenderam as negociações em dezembro de 2021, sem que se seguisse um contrato. O pedido saudita surge numa altura em que o reino enfrenta ataques houthis com mísseis e drones quase diários; a 18 de outubro, a coligação liderada por Riade anunciou a queda de um helicóptero AH-6i da Guarda Nacional em Najran. O DefenceMENA analisou até que ponto a Visão 2030 pode reduzir a dependência saudita de armas estrangeiras.
O que acompanhar
A acompanhar: uma eventual ação do Senado sobre a resolução de desaprovação no regresso, a assinatura de uma Carta de Oferta e Aceitação, eventuais acordos de contrapartidas industriais, que segundo o Departamento de Estado seriam definidos nas negociações, e qualquer notificação de armamento para os aviões.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA: Kingdom of Saudi Arabia – F-35 Lightning II Joint Strike Fighter Aircraft (17 de setembro de 2026)
- US Government Publishing Office: S.J.Res. 217, apresentada a 24 de setembro de 2026
- Sabq: fim do prazo de análise do Congresso à venda de F-35 sem votação de bloqueio (18 de outubro de 2026, em árabe)
- Reuters: venda de armas de 23,37 mil milhões de dólares aos Emirados (novembro de 2020); Emirados suspendem negociações sobre o F-35 (dezembro de 2021)





