Forças Armadas de Moçambique (FADM): efetivos e meios
As Forças Armadas de Moçambique, designadas FADM, somam cerca de 11 200 militares no ativo segundo o Global Firepower, o que as coloca no 92.º lugar entre 145 países. Estão organizadas em Exército, Marinha e Força Aérea e combatem desde 2017 uma insurreição em Cabo Delgado, com apoio ruandês, europeu e privado. Este perfil reúne os números verificáveis sobre orçamento, efetivos, equipamento, aquisições e parceiros, e indica o estado de cada dado quando o Governo moçambicano não o confirma de forma oficial.
As Forças Armadas de Moçambique em resumo
As FADM celebram o seu dia a 25 de setembro, data que assinala o início da luta de libertação nacional. Em setembro de 2025 comemoraram 61 anos, numa cerimónia em que o ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, descreveu a modernização das forças como prioridade assente em equipamento, infraestruturas, doutrina e profissionalização, segundo a agência AIM. O chefe do Estado-Maior General era então Júlio Jane.
O Parlamento aprovou em definitivo, a 14 de dezembro de 2023, uma nova Lei do Serviço Militar. A duração passa de dois para cinco anos nas tropas gerais e para seis nas tropas especiais, com 170 votos a favor e 43 contra, de acordo com a agência AIM. A Renamo e o MDM contestaram a medida.
O Global Firepower atribui às FADM um índice de poder de 1,9769, o que corresponde ao 92.º lugar. É uma classificação comparativa, que não mede a capacidade real em combate.
Orçamento de defesa e tendências
O orçamento das Forças Armadas de Moçambique não é publicado de forma consolidada e comparável. O que existe é a dotação direta do ministério da Defesa na proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), a que se somam verbas de outras rubricas e apoio externo. Segundo o Club of Mozambique, a dotação direta proposta para 2025 era de 20 673 milhões de meticais, cerca de 285 milhões de euros, menos 35% do que no ano anterior.
| Exercício | Defesa (milhões de meticais) | Equivalente em euros |
|---|---|---|
| 2023 | 28 846 | 397,5 milhões |
| 2024 | 31 740 | 437,3 milhões |
| 2025 (proposta) | 20 673 | 285 milhões |
Para o orçamento seguinte, a despesa total prevista pelo Governo é de cerca de 535 mil milhões de meticais. As fontes consultadas não detalham a linha de defesa, pelo que não se avança um valor. A 27 de novembro de 2025, perante o Parlamento, o ministro Chume admitiu dificuldades sérias na aquisição de equipamento militar, em particular de armamento letal, devido aos limites orçamentais.
O Global Firepower indica 480 milhões de dólares como orçamento de defesa, uma estimativa de terceiros que não coincide com a proposta orçamental e não deve ser tomada como valor oficial.
Efetivos: ativos, reserva e paramilitares
O Estado moçambicano não divulga o número exato de militares. As estimativas do Global Firepower apontam para 11 200 efetivos no ativo, nenhuma reserva organizada e 3 000 paramilitares. Esses números devem ser lidos como ordem de grandeza.
| Categoria | Estimativa Global Firepower |
|---|---|
| Pessoal no ativo | 11 200 |
| Reserva | 0 |
| Paramilitares | 3 000 |
| População ativa do país | cerca de 15,2 milhões |
A nova lei visa a profissionalização e a retenção de militares, segundo a AIM. Quanto à remuneração, não foi encontrada qualquer tabela salarial oficial das FADM, e os valores que circulam em redes sociais não são aqui reproduzidos.
Equipamento principal
O Global Firepower contabiliza 60 carros de combate, 3 488 veículos blindados, 104 peças de artilharia rebocada, 23 aeronaves e 36 patrulhas navais. O inventário real é difícil de confirmar: não é claro quantos equipamentos soviéticos herdados da guerra civil permanecem operacionais.
| Domínio | Estimativa Global Firepower |
|---|---|
| Carros de combate | 60 |
| Veículos blindados | 3 488 |
| Artilharia rebocada | 104 |
| Aeronaves (total) | 23 |
| Aviões de combate | 8 |
| Helicópteros de ataque | 2 |
| Navios patrulha | 36 |
No Exército, a defenceWeb refere veículos chineses Tiger 4×4, dos quais 23 foram recebidos em 2018 segundo o SIPRI e dois capturados por insurgentes em 2020, bem como cerca de uma dúzia de WZ-551, 25 Saxon e 40 FV-432 britânicos em segunda mão. Surgiram também blindados MCAV-20, da empresa emiratina Calidus, no desfile de 25 de setembro de 2024, com pelo menos seis viaturas visíveis, segundo a defenceWeb. O número de unidades adquiridas não é conhecido.
Na Força Aérea, a MiGFlug lista oito MiG-21 revistos na Roménia, mas sem confirmação de que voem. Operam sobretudo dois Mi-24, quatro Mi-8/17 e dois Gazelle fornecidos pelo grupo Paramount, mais aeronaves de vigilância Mwari. Um Airbus C295W chegou a Maputo a 27 de fevereiro de 2025. Para comparar os helicópteros com os de outros exércitos, veja a nossa classificação dos helicópteros militares africanos.
A Marinha opera sobretudo pequenas embarcações. A Military Africa enumera três Ocean Eagle 43 baseados em Pemba, seis interceptores HSI32 encomendados à CMN francesa (um dos quais afundado por insurgentes) e duas lanchas indianas entregues em 2019. Para o contexto das lanchas rápidas, consulte o artigo sobre lanchas lança-mísseis das marinhas africanas.
Aquisições e modernização recentes
As aquisições recentes são pontuais e de pequena escala. A mais clara é o C295W entregue em fevereiro de 2025. Antes, o grupo Paramount tinha fornecido helicópteros, aviões de transporte CN235M e L-410 e aeronaves Mwari, das quais Moçambique foi cliente de lançamento, com 400 horas de voo registadas em setembro de 2024, segundo a MiGFlug.
Uma parte relevante do reequipamento vem de doações. O Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (EPF) financiou equipamento não letal num pacote total descrito pela Military Africa como de 85 milhões de euros: capacetes, coletes, tendas, geradores, veículos, ambulâncias, barcos, drones e um hospital de campanha. A última remessa foi noticiada em março de 2025. Em julho de 2024, o equipamento da missão da SADC (SAMIM) foi entregue às FADM depois da retirada da força.
O ministro da Defesa disse, em novembro de 2025, que o investimento disponível não chega para repor armas e munições. Há, portanto, uma lacuna entre os planos de modernização e os recursos efetivos.
Fornecedores e parceiros
O arsenal herdado é soviético. Nos últimos anos, as entregas vieram de vários países, sem um fornecedor dominante. A tabela resume os parceiros documentados.
| Parceiro | Tipo de apoio | Exemplos documentados |
|---|---|---|
| China | Veículos blindados | Tiger 4×4, WZ-551, ZFB05 |
| Paramount (África do Sul) | Aeronaves e viaturas | Mi-24, Mi-8/17, Gazelle, Mwari, Marauder |
| França (CMN/Privinvest) | Embarcações | Ocean Eagle 43, HSI32 |
| Emirados Árabes Unidos | Veículos blindados | MCAV-20 (Calidus) |
| União Europeia | Equipamento não letal e formação | Pacote EPF de 85 milhões de euros |
| Índia | Embarcações | Duas lanchas rápidas, 2019 |
No terreno, o Ruanda mantém tropas em Cabo Delgado desde 2021. O Governo ruandês fala em mais de 6 300 militares, três vezes o contingente inicial, de acordo com a Lusa. O financiamento europeu de 40 milhões de euros a esta missão terminou, e Maputo diz que a presença visa ganhar tempo para as FADM assumirem a liderança. Os custos e a duração não foram divulgados.
A cooperação regional inclui a África do Sul, assunto tratado em cooperação de defesa entre Pretória e Maputo. Em setembro de 2024, o Exército dos Estados Unidos realizou também um intercâmbio de comunicação estratégica com as FADM em Maputo.
Comparação regional
As Forças Armadas de Moçambique são pequenas face aos vizinhos. Angola, analisada em perfil das forças armadas angolanas, soma cerca de 117 000 efetivos e ocupa o 59.º lugar no Global Firepower.
| País | Efetivos no ativo (estimativa) | Posição no Global Firepower |
|---|---|---|
| Moçambique | 11 200 | 92.º de 145 |
| Angola | cerca de 117 000 | 59.º |
A diferença de dimensão ajuda a perceber o papel dos parceiros externos. O ministro Chume citou o regresso da TotalEnergies e da ExxonMobil à bacia do Rovuma como exemplo de segurança que atrai investimento.
Perguntas frequentes
Quantos militares têm as FADM?
O Global Firepower estima 11 200 militares no ativo, sem reserva organizada e com 3 000 paramilitares. O Estado moçambicano não publica o efetivo exato, pelo que estes números são estimativas externas. A nova Lei do Serviço Militar de 2023 prolonga o serviço para cinco anos nas tropas gerais.
Qual é o orçamento da defesa de Moçambique?
A dotação direta proposta para 2025 foi de 20 673 milhões de meticais, cerca de 285 milhões de euros, uma queda de 35% face a 2024. Não existe um valor consolidado oficial. O Global Firepower indica 480 milhões de dólares, estimativa que difere da proposta orçamental.
Que equipamento tem Moçambique?
O Global Firepower contabiliza 60 carros de combate, 3 488 blindados e 23 aeronaves. Há viaturas chinesas e emiratinas, helicópteros da Paramount e um C295W recebido em 2025. A disponibilidade operacional do material soviético mais antigo não está confirmada.
Quem apoia as FADM em Cabo Delgado?
O Ruanda destacou mais de 6 300 militares, segundo o seu Governo. A União Europeia financiou equipamento não letal através do EPF, e a missão da SADC saiu em julho de 2024. A presença estrangeira, de acordo com Maputo, visa dar tempo às FADM para assumirem a liderança.
Fontes
- Club of Mozambique: corte de 35% no orçamento direto da defesa
- 360 Mozambique: ministro da Defesa pede prioridade orçamental
- Club of Mozambique: Governo aprova a proposta de orçamento do Estado
- Global Firepower: perfil de Moçambique
- AIM: serviço militar passa de dois para cinco anos
- AIM: modernização das Forças Armadas é prioridade nacional
- defenceWeb: blindados MCAV-20 em Moçambique
- defenceWeb: material da Paramount exibido em Moçambique
- MiGFlug: Força Aérea de Moçambique
- Military Africa: Marinha de Moçambique
- Military Africa: equipamento financiado pela UE
- Lusa: forças ruandesas em Cabo Delgado





