Su-30 em África: Angola e os outros operadores

Su-30 em África: Angola e os outros operadores
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O Su-30 em África tem quatro operadores confirmados: a Argélia, com 63 aparelhos em 2024, Angola, com 12, o Uganda, com seis, e a Etiópia, com dois. O caça bimotor de dois lugares, derivado do Su-27, chegou ao continente pela Argélia e foi depois adotado por clientes mais pequenos, quase sempre com aparelhos usados e remodelados. Este guia reúne a história, as características, o armamento, os operadores e o caso angolano, separando o que está entregue do que apenas foi noticiado.

Su-30 em África: apresentação e historial

A família Su-30 nasceu como evolução biplace do caça Su-27, concebida para missões de longo alcance e de ataque. Cada variante de exportação tem aviónica própria. A Argélia opera o Su-30MKA, com uma mistura de equipamento francês e russo, incluindo ecrãs e visores da Thales e da Sagem, segundo a Military Africa.

A Rússia assinou em 2010 dois contratos: 16 caças para a Argélia e seis para o Uganda, num total de 1,2 mil milhões de dólares, de acordo com o Defencetalk, que cita o jornal Vedomosti. A Argélia tinha suspendido em 2008 a entrega de 34 MiG-29 por defeitos de conceção, e a Rússia compensou com Su-30.

Angola seguiu um caminho diferente. Em outubro de 2013, durante uma visita do vice-primeiro-ministro russo Dmitri Rogozin a Luanda, encomendou caças usados à antiga frota indiana. Em fevereiro de 2014, a defenceWeb noticiava que seriam 12, e não os 18 anunciados antes. A mesma fonte notava que Angola voava então cerca de seis Su-27, dos 18 recebidos originalmente.

Características técnicas

Os valores abaixo referem-se à família Su-30 em geral, segundo o GlobalMilitary.net. Cada variante africana pode diferir em motores, radar e aviónica.

Característica Valor
Tripulação 2 (piloto e oficial de sistemas de armas)
Comprimento 21,9 m
Envergadura 14,7 m
Velocidade máxima 2.125 km/h
Alcance 3.000 km
Teto de serviço 17.500 m
Motores 2 turbofans Saturn AL-31
Pontos de carga 12

As versões mais recentes, como o Su-30SM, acrescentam cabina em vidro, radar Bars-R, canards e motores com vetorização de empuxo. Os Su-30K originais não têm a arquitetura aberta de aviónica do Su-30MKI, que lhes sucedeu.

Armamento e capacidades

A arma fixa é um canhão GSh-30-1 de 30 mm. A lista genérica de armamento inclui os mísseis ar-ar R-77, R-73 e R-27, mísseis ar-superfície Kh-29, Kh-31 e Kh-59, bombas guiadas e não guiadas, foguetes e casulos de contramedidas.

Para Angola, a Belarus anunciou a compatibilidade dos aparelhos remodelados com os mísseis antinavio Kh-31A, antirradar Kh-31P e ar-ar RVV-AE, além de uma estação de contramedidas desenvolvida pela fábrica na banda de 8 a 12 GHz. A informação é do diretor-adjunto da fábrica 558, citado pela Defense Mirror.

Não há dados públicos sobre os mísseis efetivamente em stock em cada país. As capacidades de ataque dependem, por isso, de contratos de armamento que raramente são divulgados.

Operadores e efetivos do Su-30 em África

País Variante Quantidade Estado
Argélia Su-30MKA 63 em 2024 em serviço, uma perda em março de 2025
Angola Su-30K modernizado 12 entregues entre 2017 e 2019
Uganda Su-30MK2 6 entregues entre 2011 e 2012
Etiópia Su-30K 2 entregues em janeiro de 2024

A cifra argelina de 63 vem do FlightGlobal, citado pela The War Zone. A Argélia encomendou ainda mais 16 Su-30MKA em 2019, segundo a imprensa russa, o que não altera a contagem de 2024.

No caso etíope, a defenceWeb refere dois Su-30K, com os números de série 2401 e 2402, que se crê terem sido devolvidos pela Índia. Mais quatro estavam previstos, mas não foram entregues.

A Etiópia já voava 18 Su-27P e Su-27SK e seis Su-27UB adquiridos nos anos 1990, pelo que os Su-30K se somam a uma frota de cerca de 26 caças da mesma família. No Uganda, o contrato foi assinado em maio de 2011, depois de longas negociações de preço, com um valor reportado de 740 milhões de dólares. Os seis aparelhos chegaram em três lotes de dois, em julho de 2011, outubro de 2011 e maio de 2012, segundo a defenceWeb. A Argélia recebeu o seu lote mais recente de Su-30 em 2016 e 2017.

Angola: os 12 Su-30K em pormenor

O primeiro Su-30K angolano foi entregue em setembro de 2017 e os últimos chegaram em abril de 2019, depois de remodelados na fábrica 558 em Baranavichi, na Belarus. Moscovo declarou a entrega concluída a 23 de outubro de 2019, de acordo com o GlobalSecurity.

Os aparelhos tinham pertencido à Força Aérea Indiana, que os devolveu à Rússia em troca de Su-30MKI novos. A fábrica afirma que foram elevados ao padrão Su-30SM, mas a Defense Mirror nota que não é claro quantas melhorias do Su-30SM cada aparelho recebeu.

O contrato incluiu simulador de voo e material de formação. Não foi divulgado o preço por avião: o único valor público é um acordo de armamento de cerca de mil milhões de dólares com a Rússia, que abrangia mais material. Veja o panorama completo na nossa análise da Força Aérea Angolana e no perfil das forças armadas angolanas.

Utilização operacional e perdas

Nas fontes consultadas, não há registo de utilização em combate dos Su-30 angolanos. No Uganda, a Military Africa refere ataques na Somália e no Sudão do Sul, mas apresenta-os como não confirmados de forma independente.

A manutenção é um fator crítico. O Uganda baseia os seus Su-30MK2 em Entebbe, de acordo com a defenceWeb. Dois Su-30MK2 ugandeses voaram para a fábrica 558, na Belarus, em julho de 2023, para inspeção, reparações e atualização de software, segundo a Military Africa. Um contrato anunciado com a indiana HAL para o apoio ao Su-30 ugandês terá fracassado.

Na Argélia, um Su-30MKA caiu a 19 de março de 2025 perto da base de Reggane, matando o piloto. Foi a segunda perda de um Su-30 no país desde janeiro de 2020, segundo o GlobalMilitary.net. A investigação técnica estava em curso.

Comparação com sistemas concorrentes

O principal concorrente na própria Rússia é o Su-35. Segundo a defenceWeb, a Etiópia recebeu os dois primeiros de 12 a 28 de outubro de 2026, e o primeiro-ministro Abiy Ahmed disse que chegaram com um ano de avanço. Acompanhamos o dossiê no artigo sobre o programa Su-35 da Etiópia.

Na Argélia, pelo menos um Su-35 foi confirmado em março de 2025 e o país seria o primeiro cliente de exportação do Su-57, o que continua apenas noticiado. A alternativa ocidental no continente é o Gripen sul-africano, analisado em Cheetah e Gripen, antigo e novo.

Caça Operadores africanos Estado
Su-30 Argélia, Angola, Uganda, Etiópia em serviço, 83 aparelhos no total
Su-35 Etiópia; Argélia Etiópia: 2 entregues de 12; Argélia: pelo menos 1 confirmado
Gripen África do Sul em serviço, ver análise dedicada

Perguntas frequentes sobre o Su-30 em África

Quantos Su-30 tem Angola?

Angola recebeu 12 Su-30K usados, remodelados na Belarus, com entregas entre setembro de 2017 e abril de 2019. A fábrica refere o padrão Su-30SM, mas não é claro quantas melhorias cada aparelho recebeu. O número de caças operacionais atualmente não é público.

Que países africanos operam o Su-30?

Quatro países: a Argélia, com 63 Su-30MKA em 2024, Angola, com 12 Su-30K, o Uganda, com seis Su-30MK2, e a Etiópia, com dois Su-30K entregues em janeiro de 2024. No total são cerca de 83 aparelhos.

De onde vieram os Su-30 de Angola?

Eram caças das primeiras remessas indianas, devolvidos à Rússia em troca de Su-30MKI novos e guardados na fábrica 558, em Baranavichi. Foram vendidos a Angola após remodelação, no âmbito de um acordo de armamento de cerca de mil milhões de dólares anunciado em 2013 e 2014.

O Su-30 já foi usado em combate em África?

Não há confirmação independente. A Military Africa refere ataques ugandeses na Somália e no Sudão do Sul, mas sem verificação. Para Angola e a Etiópia, as fontes consultadas não registam combate com Su-30. A Argélia perdeu dois aparelhos em acidentes desde 2020.

Fontes

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Author Profili
Joaquim Mendes Author All articles

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