Mísseis houthis atingem o palácio de Al-Maashiq, em Áden, e matam cinco pessoas: o que está confirmado

Mísseis houthis atingem o palácio de Al-Maashiq, em Áden, e matam cinco pessoas: o que está confirmado
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Mísseis balísticos houthis atingiram o palácio presidencial de Al-Maashiq, em Áden, na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, matando cinco pessoas e ferindo 16, segundo o ministro da Saúde do Iémen. O palácio é a sede do governo iemenita reconhecido internacionalmente e acolhe também um centro de comando usado pela coligação liderada pela Arábia Saudita. O governo diz que o primeiro-ministro, Shaya al-Zindani, e os restantes ministros saíram ilesos. Os houthis afirmam ter atingido um quartel-general militar da coligação dentro do complexo. É o primeiro ataque ao recinto desde que a guerra civil voltou a intensificar-se em julho. Horas antes, o grupo afirmara também ter atingido um Eurofighter Typhoon da Força Aérea Real Saudita sobre Saada. Riade não o confirmou, e não há provas independentes de que o avião tenha sido abatido.

Imagem de destaque: a cidade velha de Áden, no bairro de Crater, na península sul da cidade. Foto: Jialiang Gao (peace-on-earth.org), via Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Foto de arquivo, sem relação com o ataque.

O que as autoridades iemenitas confirmaram

  • Vítimas: o ministro da Saúde, Qasim Buhaibeh, disse que cinco pessoas morreram e 16 ficaram feridas “entre os que guardavam o local e funcionários civis”, segundo a AFP e a BBC. Os primeiros balanços eram mais baixos: a AP citou inicialmente um responsável que falava em pelo menos dois mortos.
  • Número de mísseis: o ministro da Informação, Moammar al-Eryani, disse à BBC que cinco mísseis balísticos atingiram o palácio. Testemunhas citadas pela AP ouviram pelo menos seis explosões.
  • Alvos no complexo: um ministro, falando à AFP sob anonimato, disse que três mísseis atingiram um centro de comando das forças governamentais iemenitas e dois um centro de comando da coligação. Referiu vítimas iemenitas e sauditas, sem números discriminados.
  • Liderança: segundo o mesmo ministro, Al-Zindani estava no palácio durante o ataque e “não sofreu qualquer ferimento”. A Al Jazeera, citando o governo, noticiou que dois guarda-costas do primeiro-ministro estão entre os mortos.

Al-Zindani classificou o ataque como “cobarde” e como uma “continuação do padrão criminoso [dos houthis] de atacar locais civis e civis”. Garantiu que o ataque não abrandará as operações do governo na costa do mar Vermelho nem noutras frentes.

O que os houthis dizem ter atingido

O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, disse que o grupo atingiu “o quartel-general das operações militares do inimigo saudita em Áden”, segundo a BBC. Meios afetos aos houthis descreveram o alvo como “o quartel-general das operações militares, dirigido por oficiais sauditas, no palácio de Al-Maashiq, em Áden, bem como depósitos de armas que lhes pertencem”, segundo a AFP. Nem os houthis nem o governo publicaram imagens do que foi destruído. A alegação sobre os depósitos de armas não foi verificada.

O correspondente da Al Jazeera em Saná descreveu os ataques à sede do governo como os “primeiros do género” por parte dos houthis. A AFP afirmou tratar-se do primeiro ataque ao complexo desde o reacender da guerra em julho.

Uma vaga mais ampla de ataques no mesmo dia

O ataque a Áden não foi o único noticiado a 15 de outubro:

  • Marib: as forças governamentais disseram que os houthis dispararam “vários mísseis balísticos” contra a cidade de Marib, no centro petrolífero do país (AFP).
  • Sul da Arábia Saudita: a coligação disse ter intercetado drones lançados contra o sul do reino e a cidade de Khamis Mushait (AFP).
  • Medina: a coligação afirmou ter intercetado um míssil de cruzeiro na região de Medina. Os houthis negaram ter atacado território saudita nesse dia e classificaram de falsa a alegação sobre Medina (BBC). Os ataques anteriores a aeroportos sauditas estão no nosso acompanhamento dos ataques houthis aos aeroportos de Riade e Abha (em inglês).
  • Taiz e Dhubab: os combates intensificaram-se em torno de Taiz, que a Al Jazeera descreve como cercada de facto pelos houthis. A força pró-governamental Escudo da Pátria disse manter, com as Brigadas dos Gigantes, o aeroporto de Dhubab, na costa do mar Vermelho, perante um ataque houthi. Veja o nosso artigo sobre os combates em torno de Dhubab, perto de Bab al-Mandeb (em inglês).

A alegação sobre o Typhoon saudita: o que está e não está estabelecido

Atualização, 18 de outubro de 2026: Saree fez a alegação no X às 00h14, hora local, de 15 de outubro. Nessa tarde, canais houthis divulgaram um vídeo de câmara térmica do ataque, amplamente partilhado por contas agregadoras; uma das partilhas mais difundidas foi a da conta Open Source Intel. O DefenceMENA analisou fotogramas do vídeo. Mostram um avião com asa em delta e canards, silhueta compatível com um Typhoon, e uma detonação muito perto da aeronave. Não há marcas visíveis. O vídeo não mostra o avião a cair nem a despenhar-se, e não aparecem destroços. A data e o local não podem ser confirmados de forma independente.

O The Aviationist considerou que o míssil não parece ter atingido diretamente o avião, mas sim detonado perto dele, provavelmente danificando-o com estilhaços, e apontou um rasto a sair da ponta da asa direita; acrescentou que é difícil avaliar eventuais danos apenas com imagem infravermelha. O Aerospace Global News leu o mesmo vídeo como algo mais próximo de um quase-acerto, com um rasto que, segundo o site, poderia ser combustível a sair da asa esquerda. Os dois meios divergem, portanto, sobre a asa em causa, e nenhum confirmou danos ou perda. Os mísseis terra-ar com espoleta de proximidade são concebidos para danificar aeronaves sem impacto direto, pelo que uma explosão junto a um caça pode corresponder a um acerto, a danos ou a uma falha. Só provas materiais ou o reconhecimento de Riade permitiriam esclarecer.

A Arábia Saudita não tinha confirmado o incidente em nenhuma das notícias analisadas pelo DefenceMENA até 18 de outubro. A 17 de outubro, Saree alegou que as forças houthis tinham abatido um helicóptero Apache saudita perto de Najran, sem apresentar provas. Essa alegação também não foi confirmada de forma independente.

Na noite de quarta-feira, 14 de outubro, Saree disse que as forças houthis tinham visado um caça saudita “Typhoon” que descolara da base aérea de Taif, atingindo-o com um míssil terra-ar sobre a província de Saada. Segundo a agência houthi Saba, afirmou que o avião “sofreu um impacto direto e corre o risco de se despenhar”. O grupo divulgou imagens noturnas que mostram um clarão no céu.

O que se pode dizer até agora:

  • Nenhuma confirmação de Riade. A Anadolu, o Middle East Eye e o Aerospace Global News noticiaram que as autoridades sauditas não comentaram. A conferência de imprensa da coligação de 15 de outubro deu números detalhados sobre os ataques a aeroportos mas, nas notícias analisadas, não abordou o avião.
  • Sem destroços nem notícias da tripulação. Não foram mostrados destroços, ejeção nem local de queda. O Aerospace Global News notou que não surgiram imagens de danos num Typhoon saudita.
  • A alegação refere-se a um impacto, não a um abate confirmado. Saree disse que o avião “corria o risco de se despenhar”. Algumas publicações nas redes sociais e alguns meios resumiram isto como “abatido”, o que vai além da própria declaração houthi.
  • Tipo de míssil desconhecido. Algumas contas de informações de fontes abertas sugeriram um míssil terra-ar da série Barq, de fabrico local, com base num outro vídeo de lançamento. Trata-se de especulação de analistas, não de uma identificação oficial.

Os houthis fizeram uma alegação semelhante a 16 de setembro, dizendo ter abatido um F-15 saudita sobre Marib, segundo o Aerospace Global News e a estação sul-coreana SBS. O Typhoon, comprado através do Reino Unido, é um dos caças multifunções de primeira linha da Força Aérea Real Saudita. Sobre o caça norte-americano, veja o nosso explicador sobre o F-16 e quem o opera na região MENA (em inglês).

Arábia Saudita culpa o Irão

O vice-ministro saudita para a diplomacia pública, Rayed Krimly, disse aos jornalistas que “a escalada dos houthis nesta fase do conflito é incentivada pelo Irão”, acrescentando que Teerão “continua a armar, treinar e apoiar a milícia houthi em violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU” (AFP, via BBC). Segundo ele, Riade propôs em julho aos houthis um encontro em Mascate, que estes recusaram. O Irão não tinha reagido à data da notícia da BBC; já negou anteriormente armar o grupo e diz apoiá-lo apenas politicamente.

O porta-voz da coligação, major-general Turki al-Maliki, disse que o Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade, foi atacado 20 vezes este mês, com 17 mortos e 333 feridos, e que os ataques ao aeroporto de Abha mataram três pessoas e feriram 28, noticiou o Daily Sabah. Acusou os houthis de obterem mísseis balísticos, drones e embarcações carregadas de explosivos “com a ajuda de atores regionais” e disse que a coligação destruiu 127 locais de armazenamento de armas e plataformas de lançamento no Iémen.

Porque é que o ataque a Áden importa

Áden é a capital provisória do governo; os houthis controlam Saná desde 2014. Um ataque direto ao complexo presidencial, com o primeiro-ministro no interior, mostra que o grupo consegue agora atingir o centro político do governo, além de cidades e aeroportos sauditas. Segundo o Ministério da Saúde iemenita, citado pela BBC, os combates desde 6 de agosto fizeram pelo menos 1282 mortos e 5890 feridos, e a ONU estima cerca de 201 mil deslocados.

A acompanhar: se o governo ou a coligação divulgam um balanço completo de vítimas, incluindo pessoal saudita; se Riade diz alguma coisa sobre o Typhoon; e se a defesa aérea de Áden é reforçada depois de um ataque em que, segundo o próprio governo, cinco mísseis atingiram o alvo.

Fontes

Nota sobre as provas: o número de vítimas provém do ministro da Saúde do Iémen e o de mísseis do ministro da Informação, ambos membros do governo. A divisão entre centros de comando do governo e da coligação assenta num ministro anónimo citado pela AFP. As alegações houthis sobre os alvos e sobre o Typhoon provêm apenas dos houthis e não foram verificadas de forma independente. Versão portuguesa preparada a 18 de outubro de 2026 a partir do artigo em inglês, atualizado nesse dia.

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